Reggae
Reggae é um
gênero musical desenvolvido originalmente na
Jamaica do fim da
década de 1960. Embora por vezes seja usado num sentido mais amplo para se referir à maior parte dos tipos de
música jamaicana, o termo
reggae indica mais especificamente um tipo particular de música que se originou do desenvolvimento do
ska e do
rocksteady.
O reggae se baseia num estilo
rítmico caracterizado pela acentuação no
tempo fraco, conhecido como
skank. O estilo normalmente é mais lento que o ska porém mais rápido que o rocksteady, e seus
compassos normalmente são acentuados na segunda e na quarta batida, com a
guitarra base servindo ou para enfatizar a terceira batida, ou para segurar o
acorde da segunda até que o quarto seja tocado. É principalmente essa "terceira batida", sua velocidade e o uso de
linhas de baixo complexas que diferencia o reggae do rocksteady, embora estilos posteriores tenham incorporado estas inovações de maneira independente.
O
cantor e
compositor Bob Marley é o ícone deste estilo musical
.Etimologia
A edição de
1967 do
Dictionary of Jamaican English ("
Dicionário de
inglês jamaicano") lista
reggae como
"a recently estab. sp. for rege
", as in rege-rege
, a word that can mean either "rags, ragged clothing" or "a quarrel, a row". ("uma grafia recentemente estabelecida de
rege", como em
rege-rege, palavra que pode significar tanto "farrapos", "roupas rasgadas" quanto "uma confusão", "uma discussão".)
[2]
Como um termo musical apareceu pela primeira vez no
hit de
1968 "
Do the Reggay", dos
Maytals, porém já era usado em
Kingston, capital da Jamaica, como nome de uma dança mais lenta e de um estilo de rocksteady.
[3] Como declarou o artista do gênero
Derrick Morgan:
Não gostávamos do nome 'rock steady' ("rock constante"), então tentei algo diferente numa versão de "Fat Man". A batida foi mudada novamente, e o órgão usado para assustar. Bunny Lee, o produtor, gostou daquilo. Ele criou o som com o órgão e a guitarra base. Soava como 'reggae, reggae', e aquele nome pegou. Bunny Lee começou a usar a palavra e logo todos os músicos estavam dizendo 'reggae, reggae, reggae'.[3]
O historiador do reggae
Steve Barrow credita a
Clancy Eccles a alteração do termo
streggae ("mulher fácil"), do
patois jamaicano, para
reggae.
[3] Toots Hibbert, no entanto, disse:
Existe uma palavra que usávamos na Jamaica, 'streggae'. Se uma garota estiver passando e os caras olharem para ela e disserem 'Man, she's streggae', significa que ela não se veste bem, parece esfarrapada. As garotas diziam isso sobre os homens também. Certa manhã eu e meus dois amigos estávamos tocando, e eu disse 'OK man, let's do the reggay.' Foi apenas algo que saiu da minha boca. E então começamos a cantar 'Do the reggay, do the reggay', e criamos uma batida. As pessoas me disseram mais tarde que tínhamos dado um nome ao som. Antes daquilo as pessoas o chamavam de blue-beat e todo tipo de coisa. Agora está no Guinness World of Records.[4]
Bob Marley teria alegado que a palavra
reggae veio de um termo
espanhol que se refere à "música do rei".
[5] Os comentários em
To the King, uma compilação de música
gospel reggae
cristã, sugere que o termo viria do
latim regi, "para o rei".
Precursores
Embora tenha sido influenciado fortemente pela música tradicional
africana e
caribenha, assim como pelo
rhythm and blues americano, o reggae traça sua origem direta ao desenvolvimento progressivo do ska e do rocksteady na Jamaica da
década de 1960.
O
ska surgiu pela primeira vez nos estúdios da Jamaica entre os anos de
1959 e
1961, desenvolvendo-se a partir de um gênero anterior, o
mento.
[3] O ska caracteriza-se por uma linha de
walking bass,
ritmos acentuados da
guitarra ou do
piano no
tempo fraco, e, por vezes,
riffs jazzísticos nos
metais. Além de sua imensa popularidade entre os adeptos da moda
rude boy, no país, o estilo conquistou muitos adeptos entre os
mods, na
Grã-Bretanha, a partir de 1964. De acordo com Barrow, os
rude boys começaram a tocar deliberadamente os seus discos de ska à meia velocidade, preferindo danças mais lentamente como parte de sua imagem de durões.
[3]
Em meados da década diversos músicos já haviam começado a tocar o ska num andamento mais lento, enfatizando a linha de baixo e os tempos fracos. O som mais lento foi chamado de
rocksteady, o nome de um single de
Alton Ellis. Esta fase da música jamaicana durou apenas até
1968, quando os músicos começaram a deixar ainda mais lento os andamentos das músicas, e acrescentaram a elas ainda mais efeitos; isto levou à criação do reggae.
História
Vocalista de
UB40 no Raggamuffin 2009.
A mudança do rocksteady para o reggae foi ilustrada pelo
shuffle de
órgão cujo pioneiro foi
Bunny Lee, destaque nos singles de transição entre os dois gêneros, "Say What You're Saying" (1967), de
Clancy Eccles, e "People Funny Boy" (1968), de
Lee "Scratch" Perry. A faixa de 1967 dos
Pioneers, "Long Shot Bus' Me Bet", já foi identificada como o exemplo mais antigo do novo ritmo que ficaria conhecido como reggae.
[6] No início de 1968 as primeiras gravações de reggae foram feitas: "Nanny Goat", de
Larry Marshall, e "No More Heartaches", dos Beltones. O
hit de 1968 "Hold Me Tight", do artista americano
Johnny Nash, recebeu o crédito de ter colocado o reggae pela primeira vez nas paradas de sucesso dos Estados Unidos.
[7]. O reggae começou a aparecer também no
rock; um exemplo de canção do gênero que tinha uma levada de reggae foi "Ob-La-Di , Ob-La-Da", dos
Beatles, de
1968.
[8]
The Wailers, uma
banda fundada por
Bob Marley,
Peter Tosh e
Bunny Wailer em 1963, geralmente é tido como o grupo mais conhecido mundialmente a ter feito a transição por todos os três estágios da evolução do reggae - desde hits de ska como "
Simmer Down", para o rocksteady mais lento, até o reggae. Além do Wailers, outros pioneiros importantes do gênero foram
Prince Buster,
Desmond Dekker,
Jackie Mittoo, entre outros.
Os produtores jamaicanos foram influentes no desenvolvimento do ska para o rocksteady e o reggae na década de 1960. Alguns dos mais célebres produtores foram
Coxsone Dodd,
Lee "Scratch" Perry,
Leslie Kong,
Duke Reid,
Joe Gibbs e
King Tubby. Um destes primeiros produtores foi
Chris Blackwell, fundador da
Island Records em 1960, que se mudou para a
Inglaterra em 1962, onde continuou a promover a música de seu país, formando uma parceria com a
Trojan Records, fundada por Lee Gopthal em 1968, e que lançou obras de reggae no Reino Unido até 1974, quando foi comprada pela Saga.
O filme
The Harder They Come, de
1972, com
Jimmy Cliff, gerou popularidade e um interesse considerável para o reggae nos Estados Unidos e, consequentemente, no resto do mundo; o
cover de
1974 da canção "
I Shot the Sheriff", de Bob Marley, feita pelo guitarrista inglês
Eric Clapton, ajudou a trazer o reggae ainda mais para o
mainstream.
[3] A partir da metade da década de 1970 o reggae começou a obter cada vez mais tempo de execução nas rádios do Reino Unido, especialmente no programa de
John Peel. A chamada "Era de Ouro do Reggae" corresponde aproximadamente ao dias de glória do
roots reggae, o chamado "reggae de raiz". Na segunda metade da década a cena
punk do país começou a se formar, e alguns
DJs de punk costumavam tocar canções de reggae durante suas apresentações. Algumas bandas de punk incorporaram influências do reggae em sua música, e ao mesmo tempo o gênero começou a passar por uma espécie de renascimento no Reino Unido, que prosseguiu até a
década seguinte, exemplificado por grupos como
Steel Pulse,
Aswad,
UB40 e
Musical Youth. Entre outros artistas de reggae que gozaram de um destaque internacional no início da década de 1980 estão
Third World,
Black Uhuru e
Sugar Minott. Os
Prêmios Grammy introduziram a categoria de
melhor álbum de reggae em
1985.
Reggae e sociedade
Original da
década de 1960, o ritmo divide-se em dois subgêneros, o "
roots reggae" (raízes do
reggae) e o "dancehall reggae", que é originário da
década de 1970. O
reggae é constantemente associado ao movimento religioso
rastafari, que, de fato, influenciou muitos dos músicos apologistas do estilo
reggae nas décadas de 1970 e 1980. De qualquer maneira, o
reggae trata de vários assuntos, não se restringindo à cultura rastafariana, como o amor, o sexo e principalmente a crítica social
[9].
Uma das características que podem caracterizar o
reggae é a crítica social, como por exemplo cantar a desigualdade, o preconceito, a fome e muitos outros problemas sociais
[10].